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quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

Guerra x Paz

 

Calaram-se as armas
Acalmaram-se as almas
Pois paz era o ancoradouro
Perspectivara-se anos d’ouro
Ouvira-se vozes em coro
Vira-se a felicidade do choro
Pisara-se com firmeza o solo
Sentira-se segurança e consolo
Mas vários anos passados
Anos d’ouro não foram avistados
Pelo contrário vivemos anos de ferro
Pois a paz não trouxe o fim da guerra
A guerra silenciosamente continua
Dentro de nossas casas há prantos
A guerra reflecte nos nossos pratos
Verdade crua na rua nua
Se manifesto meu descontentamento
Dizendo: quero educação, saúde e paz no prato
Policiais dizem: “Inocêncio(s) Mato(s)”
Com balas mortíferas, inocente sou morto
Mas esta mesma bala
Revive(u) em nós a bravura
E a força de libertar A’ngola
Dessa aura hostil, escura e dura


______________
DE: #SAMM

quinta-feira, 12 de novembro de 2020

In'dependência


P’ra eles, nos resumimos a votos
Brindam-nos com 4 anos de dureza
Submersos em extrema pobreza
Somos masoquistas devotos
Que renovam vossos mandatos
Masoquistas a mercê de sádicos
Por isso sabemos mil formas de sofrer
E enquanto isso…
Eles comem o que a gente planta
Esperançosos esperamos o brotar…
Das promessas que eles plantam
No coração dessa nação cerebralmente lavada
Insana’mente as cegas ao abismo guiada
Mal instruída, mal cuidada e faminta
Má governação é o manjar que nos servem
Eles não nos dão o que queremos
E muito menos o que precisamos
Simplesmente não se importam
45 anos em estado crítico
Várias vezes dou por mim céptico
Com o coração engarrafado
De questões, embriagado
De tanto beber conhecimento fabricado
Conhecimentos “made by MPLA”
Que envés de libertar, nos têm cafricado
Tal como foi o passado dos antepassados
Presente também tem sido acorrentado
Mas hoje…
Não nos enganam nem com apoio clero
Como por’tugas fomos por/há 500 anos
Hoje está mais do que claro
Que eles manipularam a verdade
Condenaram vidas por suas vaidades
Por tanto mano/a…
Desligue a tv, desligue o rádio
Pois a verdade está na rua pedindo esmola
Comendo lixo no lixo
Dormindo ao relento
Lavando carros e zungando
Esta na cara do ex combatente zangado
A verdade está no salário mínimo miserável
Está nos jovens desempregados
Na des’qualidade de ensino e sanidade
A verdade está nos bairros de lata
Por isso…
Enquanto a mentira tem dito “viva”
Hoje… a VERDADE está nas ruas!
Em pé, com as mãos erguidas gritando BASTA!!!


Ler também: Guerra x Paz

Autor: #SAMM

sexta-feira, 16 de outubro de 2020

Experiência

 

Ninguém chega onde chegou por acaso!
Somos resultado dos resultados
Resultantes das nossas escolhas.
A vida ensina…
E mais tarde te prova
Usando seus métodos bizarros
Ela destrata, açoita e fere
Ela trata, acoita e cura
A vida é instável
Agora podes estar feliz
E eu infeliz
Mas isso muda o tempo todo
Cada um é feliz ou infeliz a seu tempo
Cada um absorve do seu jeito
Todos ensinamentos da vida
Pois a experiência de um homem
Não conta a história do que ele viveu
Conta a história do quanto ele absorveu

Autor: #SAMM

Leia também: poeta-poema

quarta-feira, 30 de setembro de 2020

Poeta Poema











Trancado no quarto
Abraçado ao vazio vasto
Que preenche o que sinto
Anseio estar liberto

Me perco e me encontro
Em cada verso que rima
Abordo da minha alma
Sem asas voo ao centro

Para despertar o espírito
Que ilumina meu recinto
Que recita o que sinto
E perpassa perímetros

Pois poemas dizem mais…
Duque poetas escrevem
Poemas reflectem mais…
Duque poetas sentem

Poemas fazem poetas
Poetas são instrumentos
Que poemas usam…
para expressar sentimentos


Leia também: incompleto


Autor: #SAMM

terça-feira, 29 de setembro de 2020

Incompleto


Eu nunca me encaixo…
Por mais que eu faça recortes
Ou o quanto eu me ajuste
Nunca me encaixo
Um leão fora da selva
Um peixe fora do mar
Um pássaro engaiolado
Uma planta no vaso…
É como me sinto

E penso que não sou o único
Afastado do meu habitat
Impedido de transpor limites
Apreendido e isolado

Eu aprendi a ficar calado
Me sentia incompreendido
Me isolei, me asilei no submundo
Mudo nesse mundo surdo
Mundo que não compreendo
Me mantive anulado
Num abismo obscuro de absurdos
Lavando com lágrimas…
Toda dor cravada na alma
Contei à poesia como me sinto
Ela me ouviu e entendeu
Sobre mim sua mão estendeu
O brilho de sua luz me concedeu

Mas a vida…
Está cada vez mais ríspida
Rápida e desenfreada
Estamos mais estressados
Cada vez mais atrasados
Cada vez mais apressados
Sem tempo para nada,
Todos somos velocistas
Fizemos da vida uma pista
E viver se tornou uma corrida
Tudo nos tem e temos nada
Tudo vemos e ouvimos
Simplesmente não nos importamos
Humanidade em nós perdida

Pois parece que desistimos…
De sermos nós mesmos,
Sem disfarces
Desistimos…
De buscar a paz real
De amar com o amor real
Parece que ninguém quer isso
E nos mantemos omissos
Quando tudo que queremos é isso
Para que cada um a sua maneira
Se encaixe na sua forma inteira
Sem precisar de recortes ou ajustes
Sem precisar de perder partes


Ler também: O Pó(eta)


Autor: #SAMM

terça-feira, 8 de setembro de 2020

O Poeta














O poeta em mim se foi…

Sentia o que escrevia
Porque escrevia o que sentia
Já não sinto o que escrevo
Tento, mas não mais me elevo
Medito, mas não mais viajo
Já não oiço sussurros
Perdi a aura da sensibilidade
A aurora que ornava minha autenticidade
E laureava minha poética identidade
Junto se foi a energia da habilidade
E parte de minha luminosidade
A forma de ver o mundo de seus olhos
O caminhar sob o guiar de teu brilho
Pois só sou confuso e sem refúgio
Frágil buscando subterfúgios
Nos aposentos do poeta,
Forçando a caneta
Forçando este poema…
Talvez seja o derradeiro poema
Talvez nem foram de facto poemas
Talvez fossem só rabiscos de dilemas
Rabiscos da alma
Reflexos do íntimo do ínfimo ser que sou
Fundidos em cada verso que se alinhou
Em cada estrofe que se enquadrou
E capturou a foto do pensamento e emoldurou.

Ler também: Incompleto

Autor: #SAMM

quinta-feira, 20 de agosto de 2020

Beleza oculta – parte III

Pin de dil em Neon | Imagens de lua, Lindas paisagens, Fotos de ...

Não te conheço
Mas te procuro de forma incessante, desde o começo
Busco conhecer e contemplar a sua realidade
Quero estar simultaneamente no centro e nas extremidades

Tento fazer tocar e fazer contacto
Ainda que custe a desconexão do meu corpo, alma e espírito
Não sei quem sou, nem quem és, mas meu mundo não tem sido suficiente
Estou morrendo por dentro, meu eu já não sente

Minha alma sofrida por culpa de inúmeras perdas
Meu espírito parece neutro perante toda essa mer…!!!
Minha existência física impotente,
Não há escapatória, parece que tudo é sobre o tempo
Pareço frágil como um copo a beira da queda de determinado topo

Não adianta chorar por isso
Mas te conhecer é o propósito
Afinal cadê a beleza por detrás de tudo isso?

“Oiço silêncios brutos que invadem o meu recinto privado
No meio de tanto barulho sem som
Tento ouvir o teu silêncio, nem isso eu consigo”

Mas tua desconhecida aparência me seduz
Penso que vejo sempre que olho p’ro nada
Penso que te vejo sempre que fecho os olhos
Completa ilusão da realidade

Afinal qual é a beleza de tudo isso?!

Ironicamente
A beleza que tanto procuro
Está no tempo que contemplo
Está no templo e eu sou o templo.


Leia também: 

beleza-oculta-parte-ii

Autor: #SAMM