Sentia o que escrevia
Porque escrevia o que sentia
Já não sinto o que escrevo
Tento, mas não mais me elevo
Medito, mas não mais viajo
Já não oiço sussurros
Perdi a aura da sensibilidade
A aurora que ornava minha autenticidade
E laureava minha poética identidade
Junto se foi a energia da habilidade
E parte de minha luminosidade
A forma de ver o mundo de seus olhos
O caminhar sob o guiar de teu brilho
Pois só sou confuso e sem refúgio
Frágil buscando subterfúgios
Nos aposentos do poeta,
Forçando a caneta
Forçando este poema…
Talvez seja o derradeiro poema
Talvez nem foram de facto poemas
Talvez fossem só rabiscos de dilemas
Rabiscos da alma
Reflexos do íntimo do ínfimo ser que sou
Fundidos em cada verso que se alinhou
Em cada estrofe que se enquadrou
E capturou a foto do pensamento e emoldurou.





