Ou o quanto eu me ajuste
Nunca me encaixo
Um leão fora da selva
Um peixe fora do mar
Um pássaro engaiolado
Uma planta no vaso…
É como me sinto
E penso que não sou o único
Afastado do meu habitat
Impedido de transpor limites
Apreendido e isolado
Eu aprendi a ficar calado
Me sentia incompreendido
Me isolei, me asilei no submundo
Mudo nesse mundo surdo
Mundo que não compreendo
Me mantive anulado
Num abismo obscuro de absurdos
Lavando com lágrimas…
Toda dor cravada na alma
Contei à poesia como me sinto
Ela me ouviu e entendeu
Sobre mim sua mão estendeu
O brilho de sua luz me concedeu
Mas a vida…
Está cada vez mais ríspida
Rápida e desenfreada
Estamos mais estressados
Cada vez mais atrasados
Cada vez mais apressados
Sem tempo para nada,
Todos somos velocistas
Fizemos da vida uma pista
E viver se tornou uma corrida
Tudo nos tem e temos nada
Tudo vemos e ouvimos
Simplesmente não nos importamos
Humanidade em nós perdida
Pois parece que desistimos…
De sermos nós mesmos,
Sem disfarces
Desistimos…
De buscar a paz real
De amar com o amor real
Parece que ninguém quer isso
E nos mantemos omissos
Quando tudo que queremos é isso
Para que cada um a sua maneira
Se encaixe na sua forma inteira
Sem precisar de recortes ou ajustes
Sem precisar de perder partes
Ler também: O Pó(eta)
Autor: #SAMM

Gostei. Parabéns!
ResponderEliminarTbm gostei, vim pelo comentário de um vídeo...
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