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quarta-feira, 30 de setembro de 2020

Poeta Poema











Trancado no quarto
Abraçado ao vazio vasto
Que preenche o que sinto
Anseio estar liberto

Me perco e me encontro
Em cada verso que rima
Abordo da minha alma
Sem asas voo ao centro

Para despertar o espírito
Que ilumina meu recinto
Que recita o que sinto
E perpassa perímetros

Pois poemas dizem mais…
Duque poetas escrevem
Poemas reflectem mais…
Duque poetas sentem

Poemas fazem poetas
Poetas são instrumentos
Que poemas usam…
para expressar sentimentos


Leia também: incompleto


Autor: #SAMM

terça-feira, 29 de setembro de 2020

Incompleto


Eu nunca me encaixo…
Por mais que eu faça recortes
Ou o quanto eu me ajuste
Nunca me encaixo
Um leão fora da selva
Um peixe fora do mar
Um pássaro engaiolado
Uma planta no vaso…
É como me sinto

E penso que não sou o único
Afastado do meu habitat
Impedido de transpor limites
Apreendido e isolado

Eu aprendi a ficar calado
Me sentia incompreendido
Me isolei, me asilei no submundo
Mudo nesse mundo surdo
Mundo que não compreendo
Me mantive anulado
Num abismo obscuro de absurdos
Lavando com lágrimas…
Toda dor cravada na alma
Contei à poesia como me sinto
Ela me ouviu e entendeu
Sobre mim sua mão estendeu
O brilho de sua luz me concedeu

Mas a vida…
Está cada vez mais ríspida
Rápida e desenfreada
Estamos mais estressados
Cada vez mais atrasados
Cada vez mais apressados
Sem tempo para nada,
Todos somos velocistas
Fizemos da vida uma pista
E viver se tornou uma corrida
Tudo nos tem e temos nada
Tudo vemos e ouvimos
Simplesmente não nos importamos
Humanidade em nós perdida

Pois parece que desistimos…
De sermos nós mesmos,
Sem disfarces
Desistimos…
De buscar a paz real
De amar com o amor real
Parece que ninguém quer isso
E nos mantemos omissos
Quando tudo que queremos é isso
Para que cada um a sua maneira
Se encaixe na sua forma inteira
Sem precisar de recortes ou ajustes
Sem precisar de perder partes


Ler também: O Pó(eta)


Autor: #SAMM

terça-feira, 8 de setembro de 2020

O Poeta














O poeta em mim se foi…

Sentia o que escrevia
Porque escrevia o que sentia
Já não sinto o que escrevo
Tento, mas não mais me elevo
Medito, mas não mais viajo
Já não oiço sussurros
Perdi a aura da sensibilidade
A aurora que ornava minha autenticidade
E laureava minha poética identidade
Junto se foi a energia da habilidade
E parte de minha luminosidade
A forma de ver o mundo de seus olhos
O caminhar sob o guiar de teu brilho
Pois só sou confuso e sem refúgio
Frágil buscando subterfúgios
Nos aposentos do poeta,
Forçando a caneta
Forçando este poema…
Talvez seja o derradeiro poema
Talvez nem foram de facto poemas
Talvez fossem só rabiscos de dilemas
Rabiscos da alma
Reflexos do íntimo do ínfimo ser que sou
Fundidos em cada verso que se alinhou
Em cada estrofe que se enquadrou
E capturou a foto do pensamento e emoldurou.

Ler também: Incompleto

Autor: #SAMM